quarta-feira, 16 de maio de 2012

DVD: Por que Drive, para muitos, é uma obra-prima?

O filme Drive, do diretor Nicholas Winding Refn, injustamente exibido nos cinemas brasileiros tardiamente, e somente em algumas cidades (o eixo sul-sudeste que o diga), tendo o prolífico ator Ryan Gosling como protagonista, foi considerado uma mistura de Taxi Driver com Cães de Aluguel. Quanta injustiça! Quanta precipitação! Na verdade, Drive está mais perto do cinema europeu e dos velhos filmes de perseguição a carros dos anos setenta, com pitadas de romance de Antonioni e um pouco de Bertolucci. Em relação a este último cineasta, o filme rende até algumas homenagens a filmes como O Último Tango em Paris, não pelas cenas de sexo ou diálogos revolucioinários (que não tem em profusão), mas sim pela interpretação do personagem de Rosling, cujo jeito taciturno lembra-me muito a atuação de Marlon Brando.

Em Drive podemos ver uma série de referências. Sim! Até porque cinema moderno, nos dias de hoje, é um baú de referências. Um pouco como é a vida acadêmica dos universitários com seus textos, artigos, dissertações e teses que contém mais referências do que pura originalidade. Desde o Nascimento de uma Nação de Grifith, desafio qualquer cinéfilo a me dizer que existe filme sem referências ou homenagens. No caso de Drive vemos como estradas e carros são apenas o pano de fundo do drama existencial de quem percorre essas ruas, em busca de dinheiro e perigo. O personagem é um piloto profissional que trabalha como dublê de filmes de perseguição e mecânico de carros durante o dia, e faz bicos servindo como motorista em fugas de assaltos pela noite. Em sua vida solitária de poucas palavras, sempre ajustada no relógio a cada fuga espetacular, o protagonista conhece uma moça que vive com o filho num apartamento vizinho, e diante da ameaça de criminosos contra seu marido, ex-presidiário, ele se vê obrigado a ajudá-los num pacto ético de honra e amor.

A estória do filme é contada de forma serena, apesar da explosão de violência que está por vir e nos choca, de tão estilizadamente sangrenta, pois foi feita pra chocar! O motorista sem nome interpretado por Gosling parece ter sido retirado de um livro de Albert Camus. É um herói existencialista, sorumbático, quieto, mas cujo charme, através de sua serenidade ao guiar um carro de fugas após um assalto durante a noite, tanto como trabalhar como dublê durante o dia, completa-se com o indefectível palitinho nos dentes.  Entretanto, assim como parece quase um monge budista, o motorista errante pode também ser uma máquina de violência, cujo catalisador é ativado a partir de qualquer ameaça de violência contra seus novos entes queridos ( a cena do martelo dentro de um bordel já ficou antológica e quando você assistir ao filme vai perceber isso). Drive começa a remover os clichês ou ao menos reposicioná-los, quando em sua primeira parte sai da seara do filme policial e se transforma num romance. No caso, no comovente e platônico romance do protagonista com Irene, a personagem de Carey Mulligan, que faz a contraparte do filme. É ela que completa a estória, que seria inverossímil se não tivesse a sua participação. Assim, Drive conta uma história de amor, como toda fábula moderna, mas fala mais uma vez daqueles amores impossíveis (ou até que poderiam existir com muito esforço), em que um personagem solitário conduz a narrativa, seja pelos atos ou pelas curtas palavras que já traduzem uma bomba de sentimentos.

As palavras, diferentemente dos filmes de Tarantino, não são usadas à exaustão, mas, ao contrário, são usadas economicamente, como as do personagem de Gosling, cuja quietude esconde um paiol de pólvora prestes a explodir. O motorista errante de Gosling pode dizer que vai arrebentar os dentes de um incauto se ele continuar falando ao seu lado, dentro de um Café, com uma polidez tão grande quanto alguém que pede somente mais um pouco de açúçar. São desses personagens introvertidos, mas significativos (como foi, outrora, Clint Eastwood nos faroestes de Sérgio Leone), que o cinema constrói seus heróis.E é da atuação de bons atores como Gosling que se constroem bons filmes.

Drive é vibrante pois foi construído sem esforço para ser um filme cool. E bota cool nisso! A começar pela fotografia, trilha sonora com direito a um lounge eletrônicamente bem transado, cenas bem coreografadas e a jaqueta com desenho de escorpião nas costas, que deverá ficar para a história do cinema. Ryan Gosling é definitivamente um dos grandes e talentosíssimos atores da nova geração, sem os estrelismos de seus colegas trintões, como seu xarás, Ryan Reynolds ou Ryan Phillipe. Todos sabem que Gosling é bonito, o arquétipo do galã, e acima de tudo bom ator, mas ele não precisa ser másculo como Brad Pitt,  elegante como George Clooney, ou tentar salvar o mundo como Tom Cruise; pois, diferente dos galãs veteranos, o jovem ator canadense já consegue imprimir sua própria marca. É um achado a sua composição do motorista errante e sem nome, que encontra a redenção ao conhecer e se apaixonar pela fragilizada, mas encantadora vizinha, esposa de um presidiário, que tem um filho pequeno tão apaixonante e frágil quanto.

O filme ainda tem um par de vilões respeitosamente representado pelos veteranos Albert Brooks e pelo eterno "Hellboy", Ron Pearlman, que não fazem feio como gângsters judeus, integrantes da máfia local, que matam e aleijam tão trivialmente como quem corta um pedaço de bife no almoço. É bem verdade que o universo da vilania é modestamente aproveitado no filme (até pelo possível medo do diretor de recorrer aos clichês do gênero), mas a atuação econômica dos vilões não estraga a beleza de Drive, que foi candidatíssimo a filme cult do ano passado. Tive a oportunidade de observar isso ao viajar a Paris, em 2011, e ter visto o filme estrear por lá, nos cinemas parisienses. Tem coisa mais cult do que ver um filme estrear em Paris?? Infelizmente, como eu disse, no nosso caso, nós, brasileiros, recebemos com imenso atraso uma pequena obra-prima, que ainda por cima ficou relegada às locadoras de video ou à pirataria correlata no Nordeste, onde pouquíssimos entendidos em cinema saber orientar a clientela na hora de encontrar um bom filme. Fazer o quê?! De qualquer forma, assistir Drive é uma grata experiência para quem gosta de cinema, e ainda acredita em vida inteligente dentro da telona. Se for assistir na telinha, feche as cortinas, apague a luz do quarto ou da sala e viaje no carro do protagonista, dirigindo pela highway, sem destino certo, mas rumando para o horizonte. Como diria a música do Smiths: Driving in your car, I never, never, want to go home.... Bom filme, pessoal!!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

QUESTÕES RACIAIS: Cotas raciais nas universidades, finalmente reconhecidas!!

(retirado de ujs.org.br)
Gostei muito de uma recente mensagem publicada pelo apresentador Marcelo Tas, líder da equipe do programa CQC da Band, no twitter, que dizia assim: "Sou a favor das cotas raciais com uma condição:se em breve a gente se envergonhar de um dia ter precisado delas". O twett de Tas repercutiu na internet com muitas mensagens favoráveis e contrárias às cotas, como deveria ser, numa discussão com ares apaixonados que vira e mexe acontece no Brasil sobre temas polêmicos. É comum encontrar pessoas discutindo abertamente os  prós e os contras das cotas em mesas de bar, no ambiente familiar, nas salas de aula ou em redes sociais na web, questionando a adoção do modelo baseado em uma forma de discriminação positiva, por motivos de raça; principalmente quando são realizados exames para o ingresso em universidades públicas.

Em recente decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal, através de seus ministros, votou de forma unânime sobre a constitucionalidade das cotas raciais, através do julgamento de uma ação de ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) movida pelo Partido Democratas, que considerava inconstitucional a adoção do regime de cotas na Universidade de Brasília (UNB) por afrontar o princípio constitucional da igualdade. A base do argumento da parte autora no processo contra as cotas foi a de que num país de mestiços, estabelecer regras discriminatórias, privilegiando uma determinada etnia ou cor em prejuízo de outra, afrontaria o princípio de que "todos são iguais perante a lei", celebrado pelo art. 5º da Constituição, tão defendido pelo pensamento liberal clássico, ou pelos conservadores de linha tradicional.

O professor Demétrio Magnoli é um dos célebres
adversários do regime de cotas raciais nas universidades.
(retirado de g1.com.br)
É importante salientar como o argumento da igualdade formal, prevista em lei, superior à igualdade de raça, tem suas bases no pensamento liberal, no Brasil defendido tão ardentemente pela Nova Direita, que tinha nos partidos políticos a figura de, um agora defenestrado,  deputado Demóstenes Torres (um dos autores da ação judicial que tramitou no STF) e na intelectualidade, representado o neoliberalismo anticotas na academia, por pensadores como o professor e geógrafo Demétrio Magnoli. Este último, inclusive, é autor de um interessante, mas polêmico livro: O Mundo em Desordem: Liberdade X Igualdade, em que, baseado em seus fundamentos neoliberais, contraria os defensores das políticas de cotas raciais, reforçando Magnoli a cartilha do liberalismo acerca do direito à liberdade e o culto à iniciativa própria como forma de obter ascensão social. Magnoli reedita Gilberto Freyre, para quem a intensa mestiçagem de nosso povo faz desaparecer as diferenças de raça, passando todos os que residem no território nacional a serem chamados simplesmente de.... brasileiros!

Contrariamente ao que pensa Magnoli, Ronald Dworkin, célebre filósofo do direito norte-americano, já falava das características do sistema de cotas no direito dos Estados Unidos, em seu livro Levando os Direitos a Sério (Ed. Martins Fontes), onde ele discorre sobre o fundamento jurídico das políticas compensatórias, também chamadas de "ações afirmativas", de caráter transitório, que visam equilibrar o que se encontra desequilibrado. O atual presidente Barack Obama, afrodescendente, é um autêntico representante desse sistema, que teve seus primórdios na década  de sessenta, com os imensos movimentos dos direitos civis nos EUA, liderados por Martin Luther King e várias outras personalidades da política, da cultura e do direito.

(retirado de rogatavenia.blogspot.com)
O sistema de cotas não serve para cristalizar uma situação de desigualdade, onde negros assumem o lugar dos brancos indefinidamente, devido ao tempo histórico de escravidão negra e supremacia branca que relegou aos negros séculos de subordinação. Na verdade a medida serve apenas para equilibrar a balança de direitos, garantindo o acesso daqueles que tiveram seu acesso negado por tanto tempo, justamente por motivos de discriminação racial. Quem discordar de mim é só verificar dados levantados pelas Nações Unidas e não pelo governo brasileiro ou pelos movimentos defensores das cotas, afirmando que somente no Brasil, cerca de 70% da população mais pobre é comprovadamente da cor negra, enquanto que de cada quatro brasileiros pertencentes aos 10% mais ricos do pais, três são brancos. É só se verificar na presidência das grandes empresas nacionais quantos negros existem nos postos de comando, ou mesmo na propaganda dos bancos privados, quantos modelos da cor negra são utilizados em suas propagandas. A Caixa Econômica Federal chegou a dar a mancada histórica de exibir um vídeo comercial do banco (rapidamente tirado de circulação) em comemoração ao aniversário da instituição, apresentando um Machado de Assis branco, quando todo estudante do ensino médio, hoje, sabe que o célebre fundador da Academia Brasileira de Letras era mulato. Além de nota zero em história, os dirigentes da CEF também manifestaram sua ignorãncia em questões raciais. Cotas neles!!


(retirado de feraaa001.blogspot.com)
As cotas são uma necessidade devido a uma injustiça histórica cometida contra os afrodescendentes no Brasil, relegados a tarefas braçais ou funções secundárias na sociedade brasileira pós-escravatura, que, estigmatizados, passaram a se acostumar à situação de subalternos, longe do ideal liberal defendido atualmente pelos defensores da Nova Direita, baseado tão somente no sucesso do mérito individual. É muito fácil para um teórico ou político neoliberal dizer que um jovem morador da periferia, da cor negra, pode conseguir melhores oportunidades de vida, trabalho e estudo tão somente por seu esforço pessoal, diante de uma avalanche de preconceitos que vão desde sua contratação em empresas privadas, até o fato de sofrer o risco diuturno de ser abordado na rua pela polícia. É bem verdade que muitos colegas queridos, que moram no sul do país, podem me dizer que, por conta da intensa imigração europeia para a região (principalmente de alemães e poloneses) é comum ver na zona rural ou mesmo na periferia dos centros urbanos, muitas pessoas assumidamente pobres  vivendo com precárias condições de vida. Entretanto, apesar de saber que no campo encontramos muita gente simples e pobre de pele alva, vivendo com míseros trocados no bolso, também desafio a encontrar qualquer loiro de olhos azuis chafurdando comida dentro de lixões, como a legião gigantesca de excluídos, negros e pardos, que lotam a periferia urbana deste país.


As cotas raciais são uma realidade no Brasil e por mais que seus críticos elejam a meritocracia e torçam o nariz para elas, tentando convencer Deus e o mundo o quanto é injusto ou irracional deixar que um negro ocupe um lugar de um branco num processo seletivo, tão somente por sua cor de pele (como se isso fosse possível), a verdade é que o racismo na sociedade brasileira existe, e é mesquinhamente velado, a todo momento em que os poucos negros e pardos que ascendem socialmente "embranquecem" num passe de mágica, quando passam a ser tratados como doutores.

(retirado de umhistoriador.wordpress.com)
É muito comum nas regiões do Norte e Nordeste do país, cidadãos negros de certo status social preferirem ser chamados de "morenos", do que ser reconhecidos como pretos ou mulatos. O emprego do adjetivo "nêgo" ou "nêga", ainda é visto em seu tom pejorativo e é muito usado nessas regiões como forma de zombaria ou parte do anedotário nacional. Quem não se lembra das referências raciais de Monteiro Lobato, com sua personagem Tia Anastácia nas estórias do Sítio do Pica-pau Amarelo, ou da música do ex-comediante (agora deputado) Tiririca, na música que foi tirada das rádios mediante ação judicial, em que numa de suas singelas estrofes dizia "Essa nêga fede...."?! Ir de encontro às cotas raciais e ir contra um Brasil que se assume, reconhecidamente omisso em seu passado no tocante à inclusão racial, mas que agora procura retomar o bonde da história, agregando aqueles que merecem (e devem) ser incluídos, em respeito à tonalidade de sua pele, não porque sejam melhores ou superiores, mas sim porque são reconhecidos dessa forma como detentores de direitos, tão reconhecidos que asseguram, inclusive, vagas nas universidades por força de lei (e agora, por decisão dos tribunais). Sou plenamente favorável às cotas, como acadêmico, professor e cidadão afrodescendente, mas também por louvar a trajetória histórica de mitos como Zumbi dos Palmares, que na época dos quilombos queria tão e simplesmente que seu povo tivesse paz e uma terra para viver. Como diz a música do Caetano, se for para contestar intelectuais como Magnoli e todo um séquito leitor da revista Veja que é contrário às cotas, canto com um sorriso aberto o refrão: "Eu  sou neguinha..........!!!".

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FILME: " Machine Gun Preacher" combina religiosidade, guerra e responsabilidade social.

Sam Childers: de ex-viciado em drogas
a uma espécie de "Rambo africano"
a serviço de Deus.
Sam Childers é um ex-viciado em drogas e álcool, ex-traficante  e ex-presidiário que um belo dia, entre suas perambulações em cima de uma Harley Davidson, descobriu Jesus, virou construtor, montou uma igreja para motoqueiros, junkies e prostitutas redimidos, que se batizam ao som de Livin on The Edge da banda de rock Aerosmith, e se tornou um dos pastores mais controversos de uma pequena igreja neopentecostal norte-americana, situada na Pensilvânia,  nos confins dos Estados Unidos. E é nos confins da África, que do alto de seu corpanzil musculoso de ex-integrante de gangues, bigode a la Village People, apresentando um rosto sério e másculo, quase amedrontador, que Childers prega a palavra de Deus tanto quanto dispara tiros de sua coleção de armas, usadas principalmente contra criminosos de guerra na selva africana. Uma história como essa só poderia render filme, bem no estilo hollywoodiano. É é no clima do cinemão americano que vemos a adaptação para o cinema da vida de Childers, numa mistura de Rambo com Hotel Ruanda.




Hoje enfraquecido politicamente, o criminoso
de guerra Joseph Kony é uma das faces
do terror na África.
A história de Childers é contada pelo  filme Redenção (Machine Gun Preacher), dirigido por Marc Forster,  que mistura filme de ação com drama religioso. Através do ator escocês Gerard Butler ( o eterno rei Leônidas, de 300), vemos como um ex-criminoso tornou-se o popular "Pastor Metralhadora", dedicando sua vida a proteger crianças orfãs, vítimas da guerra no Sudão, trocando tiros na selva africana contra guerrilheiros e mercenários. É nesse cenário desolador que vemos um homem que conviveu com a violência a vida inteira, tentando buscar redenção através da fé, voltando-se para esta mesma violência, na qualidade agora de um "lobo pecador atrás de outros lobos", como o polêmico religioso prega em sua igreja na Pensilvânia. Na primeira cena do filme, vemos cenas fortes de uma aldeia sendo destruída no meio da noite, por ensandecidos soldados, matando os adultos a golpes de machete ou tiros de metralhadora, enquanto as crianças sobreviventes, com idade suficiente para empunhar um fuzil, são recrutadas para compor o sanguinário LRA (Lord Resistance Army), o exército de resistência liderado pelo criminoso de guerra, Joseph Kony, procurado internacionalmente, que aterroriza o sul do Sudão e que já ensejou a criação de centenas de ONGs e movimentos humanitários que denunciam os seus crimes e pedem  sua cabeça.

O filme em si não é uma obra-prima, e parece que seu formato é realmente mais adequado para home video, tendo em vista que no Brasil o filme foi distribuído diretamente para DVD e Bluray. Não obstante o conteúdo meio simplório do enredo e atuação em maior parte modesta de seus personagens, Machine Gun Preacher é um bom filme, e só não emociona profundamente quem o assiste porque já estamos acostumados a ver cenas trágicas de genocídio, exploradas à exaustão no cinema, seja em filmes que retratam o holocausto judaico, seja em películas como Hotel Ruanda ou Diamante de Sangue, que também tratam dos sangrentos e irracionais conflitos tribais nos países africanos. É interessante ver na interpretação de Butler como um sujeito meio caipira, da classe média baixa norte-americana, deslocou todas as suas ansiedades, amarguras e incertezas, outrora voltadas para a bebida e para as drogas, para uma dedicação a uma causa, que ele considerou sagrada. Certas pessoas necessitam disso, e abraçam uma religiosidade mais como uma forma de lidar com seus demônios do que fugir deles. Psicologicamente falando, é como se os demônios internos de Sam Childers fossem exteriorizados na figura humana e diabólica dos criminosos sanguinários da África central, como Kony e seu bando armado de soldados assassinos. Nesse sentido, o personagem de Machine Gun Preacher saí da posição de pecador, largado na sarjeta, para incorporar a imagem de um cruzado. E muitos pecadores convertem-se na fé cristã encarando suas vidas como uma cruzada a serviço de Deus.

Ulrich Zwinglio foi um dos líderes religiosos da Reforma Protestante na Suiça,  no século XVI, que ingressou em armas e lutou contra os imperadores católicos, em prol da sua fé, como capelão das tropas da Aliança Cristã de Zurique, vindo a morrer no campo de batalha. Assim como Zwinglio, religiosos como Sam Childers são capazes de entregar a própria vida a uma causa de fé que acreditam, por se considerarem numa missão divina e entenderem que vale à pena sacrificar a própria vida quando a alma não é pequena; principalmente se for em prol da justiça, pela segurança dos mais necessitados. Uma das ironias dessa estória é que o criminoso de guerra  Joseph Kony também iniciou sua jornada de lutas como líder religioso, iniciando um movimento de supostos guerrilheiros cristãos contra o governo majoritariamente islâmico do norte do Sudão, acabando por se tornar um déspota. Childers é alertado dos perigos da violência combatida se voltar contra sua própria violência, e recebe uma grande lição de moral no decorrer do filme, quando ele aprende que não pode deixar contaminar seu coração pelo veneno do ódio ou da vingança, numa das mais belas e comoventes cenas do filme (que eu não vou contar para não desapontar quem quer ver a película em vídeo).

Outro dos aspectos interessantes do filme é o drama familiar que se desdobra na difícil relação de Childers com sua esposa, Lynn (interpretada pela bela e talentosa atriz, Michele Monaghan) e sua filha. Ao mesmo tempo em que é um dedicado e fervoroso missionário, que constroi igrejas na África bem no meio de zonas de conflito, desafiando o exército de Kony, Sam Childers tem dificuldades em ser um pai de família normal, cuidando da filha única nos conflitos tão comuns de adolescência. O pastor guerreiro não teme se autodefinir como um pecador, uma alma perdida, mas é na busca de redenção tentando salvar almas inocentes, como as milhares de crianças africanas que são mortas anualmente nas guerras, minas terrestres, doenças e fome, que Childers busca sua humanidade, mesmo que à custa de seu casamento e da paternidade.

Redenção (no econômico e pouco criativo título do filme em português) é uma boa opção para quem ainda frequenta locadoras e quer ver o vídeo em casa, e pode servir também como tema de estudo em alguns saraus acadêmicos e debates teológicos. Ao final do filme podemos ver, nos créditos, os depoimentos do verdadeiro Childers, a rotina do pastor e de seus familiares, além do trabalho humanitário que ele realiza com suas crianças na África. Se não é propriamente uma obra de arte e nem um documentário, Machine Gun pode servir como um libelo panfletário de como não podemos nos esquecer das tragédias que abalam  o outro continente, tão ou até mesmo piores daquelas que vemos em nosso próprio país, com desocupações de Cracolândias, chacinas em favelas, e Pinheirinhos da vida. Independente da forma crítica e polêmica que possamos ver o trabalho realizado por religiosos como Childers, o que vale  é que estamos vendo alguém fazer alguma coisa, o que não deixa de ser muito importante.

terça-feira, 3 de abril de 2012

POLÍTICA: DEM de Demóstenes.

Demóstenes do DEM. Agora, demonizado pela mídia.
"Alguns políticos não têm inimigo pior do que a si próprios". Com essa frase, o romancista e dramaturgo inglês John Priestley (1894-1984) resumiu a situação do senador do Democratas (DEM) de Goiás, Demóstenes Torres. Em menos de duas semanas, toda a credibilidade de um político de oposição, construída em uma década, foi por água abaixo, destruída perante a opinião pública, diante de acusações de tráfico de influência, corrupção e uma larga amizade com o conhecido contraventor Carlos Cachoeira ( o mesmo do caso do ex-assessor do ex-ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz).

A credibilidade moral do senador desceu
a cachoeira, de tão impopular.
Em escutas telefônicas, prodigamente divulgadas na imprensa, feitas pela Polícia Federal, um agora preso Cachoeira conversa ao telefone com o senador goiano, valendo-se de apelidos singelos. Demóstenes é tratado por Cachoeira como "doutor", enquanto que Cachoeira é designado por seu interlocutor como "professor". Um professor do crime, ou no minimo, um mestre de maracatuais, com uma forte influência dentre figuras exponencias da República, dentre elas o senador Demóstenes Torres. As conversas que vieram a público revelaram uma relação de fidelidade quase canina do senador do Democratas com o conhecido contraventor, chegando ao cúmulo de Demóstenes se tornar um representante dos interesses de Cachoeira no Congresso. Em troca, Demóstenes chegou a receber prosaicos presentes, como uma geladeira e um fogão importados, em troca de um lobby que o senador fazia para Cachoeira, seja por aprovação de projetos de lei que legalizassem o jogo, ou na intervenção por terceiros, protegidos do contraventor, na articulação com desembargadores, em processos tramitando na Justiça.   Nada de novo no mar de lama da política nacional. Na cultura da realpolitik brasileira, onde, fazendo jus ao nosso legado lusitano, reproduzimos o ideal feudal do clientelismo, das amizades, e do "dando que se recebe" das trocas de apoio entre nossa classe política, eu nem me espanto tanto com a existência de personagens como Cachoeira. O que causa espanto é o agente público acertado do outro lado, com denúncias de corrupção, ou, no mínimo, leniência com um conhecido criminoso de colarinho branco. Demóstenes Torres parecia ser o último bastião do conservadorismo ético nacional. E se existe um conservadorismo "ético", Torres incorporava o seu principal representante.

Edmund Burke, filósofo inglês do século XVIII, com seu clericalismo antirrevolucionário, é considerado o pai do pensamento conservador moderno. Na verdade não existe um conservadorismo, mas sim conservadorismos. O conservadorismo é uma das mais intrigantes e complexas ideologias políticas, mas alguns de seus traços principais são bem identificáveis: manutenção da tradição; resistência à transformações profundas na sociedade; crença de que a desigualdade é algo natural aos homens e que a divisão de classes é inata à natureza humana; defesa intransigente de instituições seculares, como a família; e um reaçonarismo militante, contrário a qualquer pregação de cunho revolucionário, que vise dogmas ou esquemas pré-estabelecidos. O discurso conservador é uma das bandeiras da chamada "Direita" política, ou "Nova Direita". No Brasil, essa Nova Direita é representada pelo Democratas.

Carlinhos Cachoeira, empresário goiano. Este homem tem
nas mãos vários políticos, em prol da legalização do jogo
e outros negócios escusos. (fonte: veja.abril.com.br)
Nova que, na verdade, é velha. Para os mais jovens, é conhecido que o DEM é uma  legenda partidária oriunda do antigo PFL (Partido da Frente Liberal), formado ainda na época da ditadura, após a abertura política, com o surgimento da lei de anistia e as eleições diretas para os governos dos estados, em 1982. O DEM é herdeiro do antigo PDS (Partido Democrático Social), dos partidários do governo militar, que um dia se tornou PFL, antagonista de outro partido que foi oposição durante o período autoritário, o PMDB, do velho deputado constituinte Ulisses Guimarães,  que hoje dispensa apresentações. Demóstenes Torres era um dos três únicos senadores eleitos pelo partido, na avalanche de votos em candidatos de esquerda que deixou a nova direita quase inexistente no Congresso Nacional, nas últimas eleições presidenciais e parlamentares de 2010. Demóstenes parecia ser um Dom Quixote da direita nacional,  o último baluarte de uma minoria de insatisfeitos que, tratando-se de uma democracia, são valiosos no debate democrático nacional, ao menos por ter o direito de se apresentarem como a turma do contra. E foi sendo do contra que Demóstenes cumpriu fielmente seu papel partidário, sendo contra as iniciativas dos governos populares do PT na presidência, seja com Lula ou Dilma Roussef no poder. O senador Demóstenes equiparava-se a seu colega de bancada, José Agripino Maia, do RN, em importância e virulência, na qualidade de parlamentar de oposição ao governo, e a trapalhada política em que se meteu, já tem ares de trágedia. Demóstenes deve ser expulso do partido, e terá seu mandato cassado, tão certo quanto direita começa com a letra "d", e sua demonização pela mídia, assim como ocorreu anteriormente com seu colega de partido, José Roberto Arruda, deve levar ao encerramento de sua carreira política.

E agora, Demóstenes? Para os envolvidos em corrupção,
só restam as trevas do ostracismo
(retirado de prosaepolítica.com)
Se a carreira de Torres praticamente se encerrou, o futuro do Democratas e da nova direita no Brasil também é incerto. Se durante anos, movimentos e partidos de esquerda foram humilhados nas urnas ou pelas baionetas por governos de direita, parece que agora, no Brasil, o jogo se inverteu. Hoje, no tabulário partidário, são pouquíssimos os cientistas políticos que apostam uma ficha no DEM. O Democratas sucumbe de forma pior do que os partidos de esquerda que seus integrantes tanto criticaram e combatiam, no longo período em que se mantiveram no poder, ora mamando nas tetas da ditadura, ora servindo como auxiliares ou títeres dos militares, num dos períodos mais escabrosos e terríveis da história nacional. Agora, com pouca força política, esvaindo-se seu eleitorado e com dificuldade de renovar seus componentes pela falta da ascensão de novos quadros (com exceção de Rodrigo Maia, no Rio de Janeiro, e Magalhães Neto, na Bahia), o DEM se apequena cada vez mais, tornando-se um mero coadjuvante do PSDB, de Aécio, Serra e Alckmin. O paritdo vê seus pouquíssimos parlamentares sendo derrubados por denúncias de corrupção ou migrando de legenda, correndo atrás da aventura oportunista chamada PSD, criado pelo mais maquiavélico político da última década, Gilberto Kassab, até acabar de vez. Com a saída de Demóstenes, a nova ou velha direita tem poucos a recorrer, para representar seus interesses no Congresso Nacional (o deputado Jair Bolsonaro não conta, pois se trata de um político de extrema-direita, com uma minúscula influência na divulgação do conservadorismo brazuca, em nível nacional) e corre o risco de virar suco, assim como diversas legendas de aluguel que não vingaram nas últimas eleições.

Enquanto isso, Demóstenes resmunga, reclamando da falta de apoio de seu (ex) partido, correndo como um cachorro contra o próprio rabo, sem explicar o inexplicável ou forçando-se a uma psicopatia que ninguém acredita, de que "o inferno são os outros", que sua inocência e conduta ilibadas são mais do que comprovadas devido a sua atividade parlamentar, e que a mentira acabar por enganar até mesmo aquele que mente. Demóstenes pode ter mentido para si mesmo, debaixo de seu manto e de sua máscara de bom moço da direita, mas também mentiu ao povo brasileiro, ao mostrar para seus desiludidos eleitores conservadores, que político, realmente, é tudo igual!! Que triste lição, "doutor" Demóstenes!

segunda-feira, 26 de março de 2012

HOMENAGEM: E lá se foi o Chico!!

Em uma de suas últimas apresentações, ao lado de
Tom Cavalcante, um de seus discípulos.
A meu ver, existem duas formas de envelhecer. Uma delas é serenamente, aproveitando o restante dos dias que a vida ainda lhe proporciona, desfrutando de forma especial cada momento, olhando sempre para o amanhã, mesmo que o passado seja mais convidativo, e, assim, quando a hora final chegar, simplesmente morrer, desaparecer, deixando de respirar. Alguns conseguem até a proeza da morte desejada, pois, como num sonho, morrem dormindo, sem dor (o sonho de qualquer um que fica velho ou de quem viu seus velhinhos doentes partir em meio a doença). Outros envelhecem e passam o final de seus dias doentes, amargurados, amargos, pensando no passado e não conseguindo se encontrar livre dele. Geralmente essas pessoas já foram gigantes ou pessoas de longa estatura social. O filme A Dama de Ferro, que oscarizou pela terceira vez a veterana atriz norte-americana, Meryll Streep, este ano, é um exemplo disso; ao relatar os dias atuais da ex-dama de ferro, Margareth Thatcher. Aqueles que tinham um brilho anterior quando jovens, agora só lançam pequenas faíscas da chama que os animava, mas não conseguem viver a aposentadoria em paz, por serem chamados diariamente a ressuscitar o tempo em que eram tão bons, em tempos que já não voltam mais. Creio que assim como Thatcher, pessoas como Chico Anysio eram assim, que morreu no último dia 23 de março.

O Professor Raimundo e sua Escolinha. Um dos personagens
icônicos de Chico que atravessou várias gerações de brasileiros.
Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho, no nome de batismo, havia nascido em Maranguape, Ceará, há oitenta anos atrás (12 de abril de 1931), vindo de uma família de comerciantes outrora prósperos, mas em derrocada econômica.Em função disso,  Chico acabou indo bem cedo para o Rio de Janeiro, ainda na infância, quando passou a adotar a terra carioca como seu segundo lar. Foi lá que ele estreou em programas de rádio, na platinada e varguista década de 50 do século passado, quando nas tentativas mal sucedidas de se tornar galã de novela, acabou virando comediante. E que comediante! Nas décadas seguites, Chico Anysio tornou-se o maior representante da comédia e do humor nacionais. Por três décadas ele reinou quase que absoluto, ao ser contratado pela Rede Globo no final da década de 60, e passar a estrelar por lá o humorístico Chico City. Depois vieram o Chico Anysio Show, na década de 80 e a Escolinha do Professor Raimundo, na década de 90. Este último, por sinal, uma reedição de um antigo sucesso do rádio, feito ainda no início da carreira do artista, quando a figura do professor nordestino, com uma turma de alunos atrapalhados, já rendia boas risadas no rádio, há mais de cinquenta anos atrás.

Coalhada. Outro dos personagens de Chico
que no país do futebol fez história.
Na minha opinião, de toda a trajetória de Chico, acredito que a mais esfuziante se deu na década de 70. Lá, assim como os Rolling Stones eram estrelas absolutas na música, aqui no Brasil, o humor de Chico Anysio reinava absoluto.É só ver pelo youtube as caras e as caretas do humorista versátil que era Chico naquela época, no auge da sua juventude, criatividade e maturidade como artista, com um programa semanal no Fantástico da Rede Globo, onde, de cara limpa, despido de suas caricaturas, Chico desfilava crônicas do dia a dia com o mesmo sucesso que interpretava seus personagens, e que personagens! Por mais que humoristas de sua época, como Jô Soares e Renato Aragão também compartilhem do panteão da risada nacional, foi Chico quem se eternizou com sua galeria de mais de duas centenas de personagens: do Bozó, funcionário da Rede Globo a Roberval Taylor, o loutor de rádio. Do velho Popó, com seu pão-durismo judaico a Bento Carneiro, o vampiro brasileiro. Havia o Pantaleão, nordestino mentiroso compulsivo e contador de histórias, assim como ríamos das malandragens do negro carioca Azambuja, aplicando mais um de seus golpes que nunca dava certo ou das profecias do Profeta ou as mandingas do Véio Zuza. Tínhamos ainda o Coalhada, jogador perna de pau que sonhava em jogar na seleção brasileira, até o Nazareno, com sua mulher horrorosamente feia, gritando: "Caladaaaaaa!!!" (para arrepio das feministas). Havia o "Jovem", com suas estripulias de playboy ou o alcoolismo de Tavares e sua "Biscoito". As frescuras abaitoladas do pai de santo baiano Painho, ou os conselhos a presidentes da gaúcha Salomé. Ainda tínhamos o encanto irresistível do Silva, com seu sotaque sertanejo e óculos de grau, ou Cascata e Cascatinha, com seu bordão "meu garoto, meu paipai!". Podíamos rir de Haroldo, o ex-gay que virou hétero e machista, ou de Bruce Kane, personagem de filme americano, propositadamente dublado, que vinha dos filmes policiais de Cincinatti, Ohio ou dos faroestes spaghetti (uma sátira aos filmes Clint Eastwood), ou tínhamos o talento pseudoshakesperiano do ator casca grossa, Alberto Roberto.

"Minha vingança saráaa maligrinaaaaa".
Dizia o Vampiro Brasileiro.
Enfim, em todos os seus personagens podíamos ver a cara do Brasil, os mais diversos e regionalizados tipos humanos espalhados em milhares de caricaturas, onde podíamos rir de nós próprios como um Narciso invertido (quando podíamos, inclusive, ceder lugar ao riso, no lugar da revolta, na crítica social velada que o humorista fazia da corrupção no país, com seu personagem histrionicamente histórico, o deputado Justo Veríssimo. Aquele que odiava pobre; ou Tim Tones, pastor evangélico pop, norte-americano, que só queria saber de "carregar a sacolinha", ao final de cada culto. O humor de Chico Anysio era de uma genialidade ímpar porque ele soube, como ninguém, caracterizar o Brasil nascente do século XX, um país que atravessou uma redemocratização forçada após a II Guerra, passou por momentos altamente turbulentos diante de governos populistas, até sucumbir finalmente nas mãos dos militares, linha-dura, mediante um golpe de Estado e um regime ditatorial que durou vinte anos. O humor de Chico perpassa essas fases, até chegarmos novamente a nos tornar uma democracia (ou, ao menos, ser pela primeira vez, democracia de fato). Em suas piadas e seus personagens captamos os movimentos da história, com as incertezas e fragilidades de uma democracia jovem, nascente, aprendendo  a engatinhar. Levando suas quedas nos primeiros passos, quando da precipitada eleição de Collor, o confisco posterior das cadernetas de poupança e a consequente queda do poder do presidente do "aquilo roxo", após um movimento cívico por impeachment, devido a denúncias de corrupção. Nesse meio tempo, Chico Anysio estava lá, e ele correu o risco, até mesmo, de se casar com sua própria piada, quando se apaixonou e casou com a ex-ministra da economia de Collor, Zélia Cardoso de Melo, após esta ter sido defenestrada do governo (e de nossos bolsos), mediante a impopular medida de confisco das poupanças.

"Assim eu não garavooooo...."
O gênio complicado do galã Alberto Roberto.
Chico era tudo isso, mas também era humano. Com seus defeitos e virtudes ele foi sendo o representante da alma nacional. Um "Macunaíma moderno" poderão dizer alguns, do herói sem caráter, que galgou fama, fortuna, mulheres, vários casamentos e filhos tão rápido quanto fazia uma piada. Em suas últimas entrevistas, um já doente Chico reclamava da falta de reconhecimento da emissora que, outrora, o galgava como um dos príncipes da comédia ou rei do humor nacional. Para alguns, realmente Chico foi uma espécie de "Coronel do Riso", manipulando esquetes, aprovando ou desaprovando roteiros, contratando ou levando ao ostracismo certos artistas, e, de uma forma até um pouco ranzinza, criticando seus parceiros no humor, que viriam a lhe suceder, como os atores-humoristas da TV Pirata ou os hoje consagrados integrantes do grupo Casseta & Planeta. O pessoa do Casseta (como humor também está em transição, dando espaço para novas gerações) merece comentários a parte, em outro texto, mas compete aqui dizer que o grupo de Hubert, Reinaldo, Hélio de La Peña, Claudio Manoel e Cia, está com moral para as Organizações Globo, assim como Chico já esteve com o todo poderoso patriarca da emissora, o lendário e já falecido Roberto Marinho. Chico reclamava que, no tempo em que o "Dr. Roberto" era vivo, ele se sentia mais prestigiado na casa, uma vez que o velho já teria lhe dito que cada pilastra da Rede Globo devia alguma coisa a Chico Anysio. O problema é que a piada sempre acaba!!

"Mas, Bahhh, tchê!!" Nâo é que é a Salomé de Passo Fundo?!
É por arrancar o riso que o artista mede seu tempo de vida, sabendo que um dia a piada pode perder a graça, o humor fica datado ou corresponde a uma época. Por mais que se esforçasse, o tempo e a idade acabaram por amarelar também as piadas de Chico Anysio. E se a idea de revitalizar a Escolinha do Professor Raimundo foi genial no começo da década de 90 (quando o seriado passou, inclusive, de ser semanal, para ser diário), acabou se revelando ultrapassada no final da mesma década, no começo do novo milênio; quando aquela agradável trupe de artistas bem velhinhos, comediantes já decadentes, ressucitados pelo chefe, acabaram perdendo a graça (e a audiência), fazendo com que, finalmente, a Rede Globo lhe fechasse as portas. Que triste fim o dos humoristas: passam a vida inteira ganhando o pão de cada dia fazendo rir, mas quando a piada perde a graça, caem no ostracismo. Chico Anysio permaneceu os últimos anos da última década encostado, recebendo seu salário com respingos de dignidade, mas sem ter mais o fôlego e o sucesso que lhe tornavam, antes, onipresente. Infelizmente, para o velho comediante e humorista, a hora de fechar as cortinas já estava próxima. E foi um Chico amargurado que eu vi pela última vez e que me marcou, reclamando de tudo e de todos, ao lado de uma sensível e jovem esposa, aos prantos diante do declínio fisico e profissional do artista, que eu vi nas páginas de uma revista semanal que tratou de seu estado de saúde, dois anos antes de ele partir de fato, como agora partiu, com a impressão de que, de certa forma, ele já tinha partido antes, quando a televisão lhe rendeu a última homenagem, num emocionante programa realizado no ano passado.

Enquanto isso: "é o salário óooooo!!!".
E descem as cortinas para o Chico. Adeus! Ou será um até breve, um até logo, um até as próximas risadas que ainda se perpetuarão ao vê-lo reprisado na TV? Às vezes penso que Chico não morreu, o que o morreu foi apenas seu corpo físico, porque a presença de seus personagens estará marcada indelevelmente na cultura nacional. Desta forma, Chico é eterno!!

quarta-feira, 7 de março de 2012

POLÍTICA: O Antilulismo é tão ou mais visceral que o lulismo!

Os sociólogos e cientistas políticos brasileiros adoram um neologismo, e se não aproveitam o que diz a imprensa, ao menos inventam termos ou codinomes que ficariam bem num jornal. A última da vez foi a distinção entre "petismo" e "lulismo", que, para alguns estudiosos (principalmente os historiadores), até faz sentido, levando-se em conta o tempo em que o Partido dos Trabalhadores não tinha chegado ao poder, e após os oitos anos de governo Lula, quando o expoente maior do partido chegou, finalmente, à presidência da República.

Petismo não se confunde com lulismo porque este último é um efeito direto da repercussão da primeira chegada de Lula (e não do PT) ao poder. O lulismo é resultado de 8 anos de uma política acentuadamente social, mas de cunho populista, que carregada por um líder extremamente carismático e de apelo popular, fez com que milhões de cidadãos, adeptos ou não do bolsa-família, torcessem pelo êxito governamental do "ex-sapo barbudo". De fato, para muitos economistas, mesmos àqueles que não são alinhados com o governo, o crescimento do país foi notável. A "marola foi boa", como diria o próprio Lula no seu esbanjamento de expressões populares em seus discursos, e, sobretudo, ao garantir a eleição de sua assessora direta, a ex-chefe do Gabinete Civil, Dilma Roussef, à presidência da república, Lula fez mais do que eleger uma sucessora, ele se credenciou, de vez, como uma histórica (e lendária) liderança política nacional. Lula passou a figurar nos panteões da República como um dos grandes estadistas da história nacional, como foram (ou tentaram ser) em épocas distintas, Vargas, Dutra e Juscelino. Quanto ao petismo, restou ficar com a burocracia partidária, algumas prefeituras e governos estaduais, e com sua ideologia.

Agora, o que me chama mais atenção na mídia nacional não é petismo, mas sim seu inverso, sua contraparte, o "antilulismo". Se o antipetismo era um sentimento ideológico típico, com nítidos contornos de classe, do eleitorado de classe alta e classe média alta do eixo sul e sudeste que repugna o discurso socialista ou social-liberal do petismo; agora o que se nota nos editoriais e artigos da grande imprensa nacional é o predomínio do antilulismo, direcionado, em grande parte, ao governo da sucessora do intrépido e falastrão líder metalúrgico que virou presidente. Para alguns jornalistas, por mais que mostre personalidade própria, Dilma é  apenas o alterego de Lula; e o bem avaliado governo federal, nada mais do que um resquício recalcitrante do lulismo.

Guilherme Fiúza. Um dos jornalistas da
grande imprensa nacional, forte candidato a crítico
do governo e agente da oposição da Nova Direita brazuca.
Dentre os notórios antilulistas de carteirinha, posso destacar o articulista da Revista Época, o escritor e roteirista Guilherme Fiúza, que escreve semanalmente seus impropérios contra o governo de Dilma Roussef, querendo atingir na verdade, seu verdadeiro desafeto (?): o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Fiúza tem um estilo galante de escrever:ácido, violento,  virulento,mas também discreto. Diferentemente de seu colega que escrevia na Veja, Diogo Mainardi, Guilherme Fiúza destila suas profundas impressões críticas sobre o lulismo, por vezes desancando seu principal expoente, sem parecer, ao menos, tão direitista. Não há dúvidas de que Fiúza é um liberal (ou até neoliberal, se coubesse a um jornalista um jargão tão minúsculo), mas de forma diversa da burrice de alguns articulistas da Editora Abril ou Folha, que acabam por insultar frontalmente personalidades públicas, divulgar dôssies falsos ou fornecer falsas informações nas páginas de suas revistas e jornais, o jornalista autor de Meu nome não é Johnny, consegue se manter firme nas páginas semanais de Época por atirar sem machucar ninguém. É pelo puro exercício da crítica que Fiúza desenvolve seu antilulismo e não para querer destruir imagens ou reputações, como outros meios de comunicação gostam de fazer. Afinal, poderia dizer o Fíuza: Meu nome não é Mainardi.


Contra a dinheirama vomitada dos cofres públicos,
a Nova Direita reclama. Mas será que eles fizeram diferente?
O antilulismo de Fiúza reflete o antilulismo de uma classe média que há muito tempo antipazara com o estilo bonachão do ex-presidente da República, colocado no lugar da imagem de sindicalista radical, barbudo, malcheiroso e subversivo. Para algumas pessoas, independente da forma como Lula se apresenta, este será sempre o "sapo barbudo", o inimigo de classe ou demagogo oriundo da classe operária, que com seus maus modos e seus anos passados "sem trabalhar", pagos às custas do partido ou do sindicato, ainda atazana a política nacional, mesmo depois de ter sido quase corroído por um câncer. Lula expressa o tipo do líder carismático, esboçado em Maquiavel e dissecado por Weber, que não consegue ser uma unanimidade, mas sim provoca reações de aprovação ou desaprovação, pois, se não agradar, que ao menos seja lembrado. Para observadores argutos como Fiúza, Lula sempre será Lula e o PT sempre será PT, com sua romaria de conchavos, acordos políticos exitosos ou fracassados, maracutaias, populismo de esquerda, aparelhamento do Estado em prol de sindicatos e corporações, além dos mensalões. Na visão liberal do citado articulista, Lula é um caudilho (assim como Hugo Chavez o é, na Venezuela ou Peron foi, na Argentina), cuja conduta centralizadora nos rumos da política nacional só contribui para prejudicar os avanços da democracia brasileira, que prega a alternância de poder. Se o antipetismo é burro, o antilulismo é, no mínimo, equivocado, por achar que Lula pode se converter num Fidel ou que o Brasil é uma ilha distante dos ventos da globalização, e que a abertura do mercado e crescimento econômico do começo de século na gestão de Lula ainda não é suficiente para dizer que o país mudou, ou que ao menos saiu de um lamaçal.

Para os críticos, o mal do governo Dilma vem de berço, por conta
de seu "lulismo".Será que isso é defeito ou será ainda ressaca eleitoral da
eleição passada?
Não sou aqui conivente com desmandos ou ilegalidades e nem sou tão fã de carteirinha do ex-presidente brasileiro, para afirmar que acredito piamente em tudo o que se publica de favorável ou desfavorável ao governo do presidente antetior. Acho que no lulismo do governo passado muito se transigiu com a corrupção em troca de apoio político, mas o petismo da atual presidente Dilma tem afastado em demasia essa corrupção. Também sei que o velho pragmatismo da esquerda, assim como seu radicalismo, são ambos prejudiciais para o projeto de credibilidade politica de partidos que se arvoram como sendo de uma base socialista. Agora, ideologicamente, sei que as críticas de jornalistas como Fiúza são tão ideologizadas quanto as iniciativas governamentais e mancadas do governo anterior e passado, que merecem receber suas canetadas. Como eu disse, gosto do estilo de Fiúza, assim como gosto dos méritos e reconheço os deméritos do governo que apoio. É importante ter jornalistas que escrevam contra o governo, para não parecermos um país de partido único, uma ditadura como na Coréia do Norte, onde só existe uma voz oficial. Na democracia o embate de ideias é extremamente válido, principalmente se elas forem as mas díspares ou estapafúrdias, e os teóricos da nova direita devem sim, ter espaço cedido nos meios de comunicação, para manifestarem sua opinião, nem que seja para serem também críticados e esquecidos posteriormente pelo eleitorado.

Agora, se Guilherme Fiúza quiser realmente se notabilizar como jornalista puro-sangue e não ficar conhecido  apenas como o autor de um livro só (aquele que virou filme), sugiro que não dê as escorregadelas que deu anteriormente seu colega da sucursal de Veja, ao querer fazer de Lula sua anta (e quebrar a cara por isso!). Diogo Mainardi, ao invés de colecionar leitores adeptos, colecionou processos de desafetos, que lhe custaram a coluna anteriormente escrita no citado semanário do Grupo Abril. Ao mesmo tempo que defendo imprensa livre no Brasil, também acredito na existência de uma imprensa responsável. Não se pode transformar o ódio inconsciente ou antipatia por determinada personalidade política ou candidato em avaliação política de todo o contexto de um governo ou de uma sociedade. Nesse sentido, o antilulismo pode deixar de ser uma mera posição política, para se transformar numa doença. Cuidado, Fiúza!!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MÚSICA: I Have Nothing-A morte de Whitney Houston é o adeus fatal das divas trágicas


Mais uma celebridade que morre tragicamente.
Whitney Houston não está mais entre nós.
 Vou estar mentindo se eu disser que era um fã de carteirinha, do trabalho da cantora Whitney Houston, encontrada morta sábado, dia 11 de fevereiro, tragicamente em um dos quartos do hotel Hilton, em Beverly Hills, dentro de uma banheira, com sinais aparentes de ter morrido por afogamento. Quando a cantora estourou, na segunda metade da década de 80, eu já gostava de algumas artistas oriundas da soul music ou da fase disco da música negra norte-americana, como  Diana Ross, Aretha Franklin ou Donna Summer. Eu preferia muito mais Tina Turner, já veterana, uma quarentona com sua vasta cabeleira encorpada, tingida de loiro, voz forte, meio rouca e seus requebrados geriátricos com um belo par de pernas ainda para mostrar. Já a Whitney eu achava pop demais (se é que pode existir algo que não seja excessivamente pop nos dias de hoje). Mas tenho de reconhecer: Whitney Houston legou uma voz, e uma legião de fãs, e fez parte da história da música popular nas últimas décadas. Por isso, sua obra merece ser homenageada.


Uma jovem e linda Whitney Houston, simbolizava a nova
face da Black Music nos anos oitenta
 Talvez como muitas das lendas da música pop, como o recente falecimento há poucos meses de outra estrela, Amy Winehouse, a morte de Whitney Houston seja marcada por uma história de fama, prestígio, sucesso mundial, prêmios, vários discos vendidos e aparições no cinema, tão fascinante quanto o histórico de excessos, as brigas homéricas com o ex-marido, o alcoolismo e o vício em drogas pesadas, a decadência pública com a perda da voz e o desaparecimento da vendagem de discos, a anorexia produzida à base de álcool e barbitúricos, além da tentativa de redenção, que nunca chegou. Michael Jackson, Amy Winehouse e Whitney Houston tem muito em comum, falecendo cada no seu ano respectivo, numa ciranda macabra de estrelas decadentes que subiram bem alto no hall da fama das celebridades e que se eternizaram tanto pelo sucesso que fizeram em vida, quanto pelas circunstâncias trágicas em que morreram. No caso de Whitney (assim como Michael) já fazia anos que o sucesso não batia a sua porta, revelando que a ex-estrela já estava distante do auge e fora de forma há muito tempo. Whitney Houston simboliza uma década e uma América que já não voltam mais, mas que deixaram marcas indeléveis no show business de hoje.


Na época do seu segundo álbum, nos anos oitenta,
Whitney já era considerada imbatível.
 Só para se ter uma ideia: Whitney Houston estava para os anos oitenta e noventa como Beyoncé está para os dias de hoje. Ao surgir na década de 80, lançada pela indústria fonográfica, Whitney representava o modelo bem sucedido da fábrica de hits , astros e estrelas que era a gravadora Motown e suas congêneres da música negra norte americana: linda, negra, oriunda do ambiente gospel e com uma voz maravilhosa. Foi com sua beleza física e de voz, aliada a um carisma inegável nos palcos que a jovem Whitney saiu dos corais da Igreja Batista onde congregava, para brilhar como estrela principal nos clipes da MTV, nas festas do Grammy, ou em shows apoteóticos em estádios, teatros e intervalos do Superbowl nos Estados Unidos(os jogos televisionados de futebol americano, vistos no país inteiro). Ela cantou até na final da Copa do Mundo de 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato em solo ianque.


Mais madura. A cantora tentava outros caminhos, no final
da década de 90.
 Whitney estava com tudo. Se sua prima Dionne Warwick tinha sido a duquesa do pop, Whitney tinha se tornado a sua rainha, vendendo discos como quem vendia picolés na praia em dias quentes de verão, contabilizando mais de 200 milhões de discos vendidos, segundo dados da Wikipédia. Recordo-me que na época do seu auge, a cantora estampava quase que semanalmente as capas de revistas de música e celebridades, e sua ida para o cinema foi só uma questão de tempo. Depois de uma pequena participação em um filme na década de oitenta, em 1992 Whitney estrelou com o ator Kevin Costner, o filme O Guarda-Costas (The BodyGuard). Filme que todo mundo já viu e que é reprisado até hoje nas Sessões da Tarde.  Na época, a formação de um par romântico entre um astro de cinema (também agora decadente) oscarizado e uma diva consagrada da música pop, foi a combinação irresistível para um filme esquecível do ponto de vista da crítica; mas imperdível para quem gostava de louvar seus ídolos pop. As pessoas iam ao cinema porque ali estava Whitney, interpretando uma personagem que era ela mesma, uma cantora de sucesso, cantando a música-tema do filme, I Will Always Love You, que nem era dela (mas baseada num sucesso das antigas, cantada por Dolly Parton, nos anos setenta), mas que se tornou inconfundível através de sua voz, sendo escutada até hoje nas FMs do mundo inteiro.


O casamento com Bobby Brown, para muitos críticos,
foi o começo da decadência da cantora.
 Mas, assim como colheu duas décadas de êxitos, Whitney conheceu a derrocada na vida profissional e pessoal, com a chegada dos anos 2000. Ela teve um casamento conturbado com o rapper Bobby Brown, outro remanescente dos grupos de sucesso dos anos oitenta (era um dos integrantes do New Ediction, boy band muita ouvida na época). As idas e vindas do relacionamento repleto de brigas, chegada da polícia e baixarias em público faria corar Ike e Tina Turner (outro casal cujo talento musical era diretamente proporcional aos casos de violência doméstica). Após 7 anos de convivência e a concepção de uma filha, Bobby Cristina, Whitney separou-se de Brown; não sem antes reconhecer de público seu alcoolismo e vício frenético em cocaína, suposta razão pela qual a cantora teve um casamento tão atribulado.


Uma Whitney envelhecida e irreconhecível, após uma das
idas e vindas dos centros de reabilitação para drogados.
 Eis que as drogas cobraram seu preço. Não tendo mais a mesma voz de antes, Whitney Houston aparecia cada vez mais magra e pálida diante das câmeras nos eventos, e sua degradação era visível. Ela ainda tentou um retorno no final da década passada, lançando o álbum I Look to You, em 2009, mas ela não apresentava mais o carisma e o vigor de antes. Apesar das intervenções estéticas, discursos otimistas, afirmando estar livre das drogas após passar por clínicas de reabilitação e os esforços dos produtores, Whitney parecia uma pré-senhora de meia idade cansada, ainda bonita apesar dos percalços da vida, mas bem distante daquela musa negra cheia de vida e beleza que tinha brilhado vinte anos antes.O fim, que parecia estar proximo, finalmente chegou aos 48 anos.


Apesar de supostamente recuperada, a aparência magra ainda
retratava os traços da dependência química.
 As primeiras estimativas da imprensa e da polícia norte-americana acerca das causas da morte da cantora são uma combinação de álcool e drogas que culminou em afogamento. Sabe-se que em seus últimos dias, Whitney Houston utilizava muito de antidepressivos, e isso pode ter contribuído para abreviar sua vida. Mesmo que não tenha se drogado horas antes de sua morte, a verdade é que o corpo da cantora já tinha sido muito castigado pelos anos recentes de excessos e pelo uso indiscriminado de várias substâncias químicas. De qualquer forma, sofrimento maior devem estar passando seus familiares, especialmente sua filha de 18 anos, obrigada a conhecer a tragédia de perder uma mãe bem no começo de sua vida adulta; bem como do ex-marido da cantora, Bobby Brown, que a essa hora lamenta publicamente a perda da mulher que pode ter sido a mulher da sua vida. Enfim! Quando eu soube da morte de Whitney Houston, martelou-me a cabeça um de seus sucessos, que simboliza bem a vida e a morte da célebre cantora norte-americana. Afinal, para mulheres que falaram tanto de amor em suas músicas, a cantora Whitney Houston parecia em sua fama, ser uma mulher muito sozinha. Assim, tal como Whitney, não temos nada, se quem mais amamos fica longe de nós, e não temos mais a quem amar. Afinal:

Don't walk away from me
Don't you dare walk away from me
I have nothing, nothing, nothing
If I don't have you!

Mp3 music

Gates e Jobs

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Os dois top guns da informática num papo para o cafézinho

GAZA

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Até quando teremos que ver isso?
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